Quarta-feira, Janeiro 8

Filipe Silva, até hoje o presidente da comissão executiva da Galp, apresentou o pedido de demissão das suas funções, que já foi aceito pelo conselho de administração da companhia.

Em nota ao mercado através do site da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), uma vez que a Galp é uma empresa cotada em bolsa e este é um facto relevante para a gestão da empresa, que tem que ser comunicado aos seus accionistas, o anúncio é feito em língua inglesa .

A Galp “informa que Filipe Silva comunicou ao presidente [Paula Amorim] a sua renúncia aos cargos de presidente da comissão executiva e de vice-presidente do conselho de administração, por motivos familiares”.

É acrescentado que a “demissão terá efeitos imediatos e a Galp anunciará a nova direção executiva nos próximos dias”.

A maior companhia petrolífera portuguesa, a Galp está detida em 36,7% pela Amorim Energia (que junta a família Amorim e a petrolífera angolana Sonangol) e em 8,2% pelo Estado.

Citada na mesma comunicação, Paula Amorim realça “o contributo que o Filipe [Silva] deu à empresa nos últimos 12 anos, período em que a sua dedicação foi importante para o crescimento da Galp”. E tranquiliza os accionistas: “a comissão executiva da Galp mantém-se nas mãos de uma equipa altamente qualificada, que garantirá a execução e implementação da estratégia da empresa”, sublinha, na mesma nota ao mercado.

Com 60 anos, Filipe Silva foi vice-presidente do conselho de administração e presidente da comissão executiva da Galp “desde 1 de Janeiro de 2023. Foi responsável pela área financeira da comissão executiva (CFO) da Galp entre Julho de 2012 e Maio de 2023 “, lê-se na breve nota no site oficial da petrolífera.

Nos últimos dias, o nome de Filipe Silva tem sido notícia na imprensa económica especializada por ter sido ouvido pela comissão de ética e conduta da Galp, por alegadamente ter encerrado um relacionamento pessoal com uma diretora da companhia, com consequente conflito de interesses. Contactada pelo PÚBLICO durante o fim de semana, a Galp não fez qualquer comentário ao tema.

A reunião de urgência com o gestor, convocada pela comissão interna da petrolífera, terá acontecido esta segunda-feira, noticia o Jornal de Negócios.

Com atividade na produção, refinação e comercialização de produtos prolíferos, gás (natural e liquefeito) e energias renováveis, a Galp fechou os primeiros nove meses de 2024 com um lucro de 890 milhões de euros, um aumento de 24% face ao mesmo período de 2023, segundo os últimos resultados divulgados pela companhia. No mesmo período, o grupo registou um EBITDA (resultados antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) de 2609 milhões de euros, menos 8% do que no período homólogo.

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